Sua dor é legítima: Jornada de superação e saúde mental

Publicado em 20/02/2026 17:11 | Categoria: Saúde | Autor: Diego Elias do Nascimento | Fonte: Jd. Santa Maria News

Demitido durante o tratamento psiquiátrico, enfrentei uma das fases mais difíceis da minha vida após ser diagnosticado com burnout em 2025. Afastado pelo INSS, iniciei uma jornada de tratamento, autoconhecimento e recuperação. No entanto, ao retornar ao trabalho com recomendação médica de adaptação gradual, fui surpreendido com a demissão. A situação levanta uma reflexão importante sobre o preconceito e a falta de acolhimento enfrentados por trabalhadores com transtornos mentais. Esta é uma história sobre dor, reconstrução e superação, que também busca dar voz a muitos que enfrentam o mesmo silêncio e a mesma pressão no ambiente profissional.

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Em meados de 2025, minha vida passou por uma reviravolta dolorosa, mas transformadora. Fui diagnosticado com a síndrome do pânico, e o estresse excessivo, juntamente com o esgotamento físico e mental, me levaram a ser afastado do trabalho por cinco meses, recebendo auxílio-doença pelo INSS. Foi nesse período que entrei em contato com o tratamento psicológico e psiquiátrico, marcando o início da minha jornada de autoconhecimento e busca por superação.

Foi a partir dessa experiência pessoal que nasceu o canal no YouTube CLT em Crise. Criei esse espaço para discutir abertamente temas como ansiedade, pânico, depressão, burnout e os desafios da saúde mental no ambiente de trabalho. O nome do canal reflete a realidade de muitos trabalhadores: a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que antes era sinônimo de estabilidade, hoje muitas vezes representa uma rotina desgastante, cheia de pressão, ansiedade e expectativas irreais, que levam a um ciclo vicioso de esgotamento.

O canal não é uma promessa de cura milagrosa, mas sim um convite a aceitar a fragilidade humana e buscar ajuda quando necessário. Durante meu afastamento, conheci a doutora G, uma psicóloga que se tornou um pilar fundamental na minha recuperação. No canal, ela aparece sob esse nome para preservar sua identidade, mas o trabalho dela comigo foi essencial para me ajudar a entender e aceitar minha condição. Além disso, criei um super-herói fictício, que representa minha própria luta e se tornou uma metáfora para a força interna que todos nós podemos encontrar em momentos de fragilidade. Esse super-herói nacional, natural do Piauí, simboliza a coragem e o apoio emocional que, muitas vezes, precisamos para nos reerguer. No canal, ele também tem a identidade preservada, mas foi o único responsável por minha auto aceitação, aceitar que precisava de ajuda e iniciar a jornada em busca da superação, quando minhas esperanças já aviam se esgotado completamente.

Porém, a minha história não termina com o tratamento e o suporte psicológico. Ao retornar ao trabalho após o afastamento, fui demitido, mesmo com laudos médicos que indicavam a necessidade de um retorno gradual e com ajustes no ambiente de trabalho. A demissão, que veio logo após meu retorno, trouxe à tona uma questão crucial: o estigma e o preconceito que ainda existem no ambiente corporativo em relação às doenças mentais. A vulnerabilidade de quem lida com essas condições muitas vezes é explorada, e a ajuda necessária é negada em nome do desempenho e da produtividade.

O canal CLT em Crise também tem como objetivo levantar uma reflexão sobre o preconceito que envolve as doenças mentais no ambiente de trabalho e na sociedade em geral. Eu sempre destaco a importância de naturalizar o tratamento dessas doenças, comparando-as com outras condições de saúde, que, embora igualmente sérias, são tratadas com mais empatia. Cito, por exemplo, as pessoas com diabetes, que podem facilmente dizer em uma reunião social que não podem consumir certos alimentos por causa de sua condição, sem sofrer estigmatização. Por que, então, as pessoas com transtornos mentais não podem fazer o mesmo?

A ideia central do canal é tornar o tratamento da saúde mental tão natural quanto o tratamento de qualquer outra condição física. Como sempre digo, a doença mental não é menos importante do que uma doença física, e, assim como um diabético toma seus medicamentos de forma rotineira, quem sofre de ansiedade, pânico ou depressão deve ser capaz de falar abertamente sobre sua condição e buscar tratamento. CLT em Crise é mais do que um canal sobre saúde mental no trabalho. É um movimento para desmistificar as doenças mentais e trazer à tona histórias que, muitas vezes, são silenciadas. O canal se propõe a ser um ponto de encontro para aqueles que desejam compartilhar suas vivências, sem medo de julgamentos.

A ideia é que cada pessoa que acompanha o canal entenda que todos têm suas fragilidades, e, ao aceitar essa fragilidade, pode-se iniciar o processo de cura e autossuperação. Em última análise, minha experiência com o burnout e a dor do abandono e preconceito por parte da empresa em meio ao tratamento psiquiátrico, me ensina que a verdadeira força não está em ignorar as fragilidades, mas em enfrentar com coragem. CLT em Crise não oferece uma solução mágica, mas nos convida a uma reflexão fundamental: a saúde mental merece a mesma atenção e respeito que a saúde física. E, ao naturalizar a conversa sobre transtornos mentais, estaremos mais próximos de uma sociedade mais empática, mais humana e mais saudável.

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