Homens Contra o Feminicídio: GCMs caminham de Osasco a Aparecida pela conscientização

Publicado em 08/09/2026 15:54 | Categoria: Comunidade | Autor: Wilson Martins da Silva | Fonte: www.jdsantamaria.com.br

Encabeçada pelo GCM Gargantini, de Osasco, iniciativa reuniu agentes da segurança pública em uma longa caminhada até Aparecida para chamar a atenção para o combate ao feminicídio e mostrar que essa também precisa ser uma bandeira levantada pelos homens.

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GCM Gargantini na Basilica de Nossa Senhora Aparecida
GCM Gargantini na Basilica de Nossa Senhora Aparecida

Uma longa caminhada, um propósito e uma mensagem que precisa alcançar toda a sociedade: o combate ao feminicídio também é uma responsabilidade dos homens.

Encabeçada pelo GCM Gargantini, de Osasco, a ação “Homens Contra o Feminicídio” saiu da região central do município com destino a Aparecida, no interior de São Paulo, transformando o percurso em um grande ato de conscientização contra a violência praticada contra as mulheres.

Ao lado de Gargantini participaram da caminhada os GCMs Rangel e Wallace, que abraçaram a causa e enfrentaram a longa jornada levando uma mensagem de respeito, proteção e conscientização.

A Sra. Maria Gargantini, esposa de Gargantini, também teve participação fundamental na iniciativa, integrando a equipe de apoio e dando todo o suporte necessário aos participantes durante o percurso.

Uma longa caminhada por uma grande causa

A distância entre Osasco e Aparecida pela malha rodoviária é de aproximadamente 185 quilômetros, o que ajuda a dimensionar o tamanho do desafio assumido pelos participantes.

Mais do que vencer quilômetros, cansaço e as dificuldades naturais de uma caminhada dessa dimensão, o objetivo era fazer com que cada trecho percorrido ajudasse a chamar a atenção para uma causa urgente.

A caminhada levou a mensagem “Homens Contra o Feminicídio” pelas estradas até a chegada a Aparecida.

O esforço físico tornou-se também um símbolo: são homens dispostos a sair de sua rotina e percorrer uma distância significativa para dizer publicamente que não aceitam a violência contra as mulheres e que os próprios homens precisam participar dessa transformação.

Homens da segurança pública levantando essa bandeira

Um dos aspectos mais marcantes da iniciativa é justamente quem está levando essa mensagem.

São homens. São profissionais da segurança pública. E são homens dizendo a outros homens que é preciso mudar.

Profissionais das forças de segurança muitas vezes são vistos pela sociedade a partir de uma imagem de rigidez, autoridade e força, características naturalmente associadas a uma profissão que exige preparo para enfrentar situações difíceis diariamente.

Gargantini, Rangel e Wallace, porém, mostram que força também significa proteger, respeitar, acolher e ter coragem para se posicionar contra a violência.

A participação desses profissionais ajuda a quebrar um estereótipo importante. Defender as mulheres, falar sobre violência doméstica e levantar a bandeira contra o feminicídio não diminui a masculinidade de ninguém.

Pelo contrário.

Homem de verdade também protege. Homem de verdade respeita. Homem de verdade sabe ouvir. E homem de verdade não permanece em silêncio diante da violência.

Quando profissionais acostumados a lidar com situações difíceis nas ruas colocam sua disposição e resistência a serviço de uma causa como essa, deixam uma mensagem especialmente poderosa para outros homens.

Uma realidade que Gargantini conhece de perto

Para o GCM Gargantini, a luta contra a violência à mulher também está diretamente relacionada à sua atividade profissional.

O guarda civil municipal atua no Núcleo Maria da Penha, onde acompanha situações envolvendo mulheres vítimas de violência.

Por isso, os casos de violência doméstica não são para ele apenas números ou notícias que aparecem nos meios de comunicação. São situações que fazem parte da realidade enfrentada por mulheres e famílias e que chegam diariamente aos profissionais responsáveis pelo atendimento e pela proteção das vítimas.

Essa experiência reforça a necessidade de trabalhar não apenas na resposta à violência depois que ela acontece, mas principalmente na prevenção e na conscientização.

Precisamos conversar com nossos meninos

Durante muitos anos, grande parte das campanhas de enfrentamento à violência doméstica foi direcionada às próprias mulheres: ensinando como reconhecer um relacionamento abusivo, onde denunciar, como procurar ajuda e quais são seus direitos.

Esse trabalho é indispensável e precisa continuar.

Mas existe outra pergunta que também precisa ser feita:

O que estamos ensinando aos nossos meninos?

Pais, mães e responsáveis possuem um papel fundamental na formação dos futuros homens.

Precisamos ensinar desde cedo que ciúme excessivo não significa amor; que ninguém é proprietário de outra pessoa; que uma mulher possui o direito de terminar um relacionamento; que um “não” precisa ser respeitado; e que nenhuma forma de agressão pode ser considerada normal dentro de uma relação.

Também precisamos fazer com que os homens entendam que a violência contra a mulher não é um problema distante.

Nossa mãe é mulher. Nossa Vó é mulher. Nossa esposa é mulher. Nossa filha é mulher. Nossa irmã é mulher.

As mulheres que aparecem diariamente nas estatísticas são mães, filhas, irmãs, amigas e companheiras de alguém.

Por isso, combater o feminicídio significa também olhar para nossas próprias atitudes e para aquilo que estamos ensinando às próximas gerações.

Lideranças religiosas também precisam participar

A iniciativa também abre espaço para uma reflexão sobre a participação das lideranças religiosas no enfrentamento à violência contra a mulher.

Padres, pastores e representantes das diferentes religiões possuem grande influência dentro de suas comunidades. São formadores de opinião, aconselham famílias e possuem contato direto com milhares de pessoas.

Essa capacidade de mobilização pode contribuir muito mais para essa luta.

Igrejas, templos e comunidades religiosas podem promover palestras, campanhas, rodas de conversa e ações de conscientização, além de utilizar seus espaços para transmitir uma mensagem clara de que nenhuma forma de violência contra a mulher deve ser aceita ou justificada.

Não se trata de atribuir às religiões a responsabilidade pelo problema, mas de reconhecer que quem possui voz e influência dentro de uma comunidade também possui a oportunidade de ajudar a transformar comportamentos.

Faltam ações de diferentes setores da sociedade, e as lideranças religiosas podem exercer um papel social muito importante nesse processo.

O feminicídio não é um problema apenas do poder público

É evidente que o poder público possui enormes responsabilidades no enfrentamento à violência contra a mulher.

É dever do Estado oferecer segurança, acolhimento, medidas de proteção, investigação, Justiça, políticas públicas e estruturas adequadas para atender mulheres vítimas de violência.

Mas acreditar que somente o poder público será capaz de resolver o problema é um erro.

Enquanto direcionarmos toda a discussão apenas para encontrar culpados no Estado, na Prefeitura, na polícia ou em qualquer outra instituição pública, uma parte essencial do problema continuará sem ser enfrentada.

A mudança precisa acontecer também dentro de casa.

Precisa acontecer nas escolas.

Precisa acontecer nas empresas.

Precisa acontecer nas associações e projetos sociais.

Precisa acontecer nas igrejas.

Precisa acontecer nas rodas de amigos.

E, principalmente, precisa acontecer entre os próprios homens.

O poder público precisa fazer sua parte, mas a sociedade também precisa assumir a sua.

Homens precisam conversar com homens

Talvez essa seja uma das mensagens mais importantes da iniciativa Homens Contra o Feminicídio.

Não basta falar somente com as mulheres sobre como evitar ou denunciar a violência. Precisamos falar com os homens sobre como não produzir violência.

Homens precisam conversar com outros homens.

Pais precisam orientar seus filhos.

Amigos precisam ter coragem de repreender atitudes abusivas de outros amigos.

Precisamos deixar de tratar determinados comportamentos como brincadeiras quando eles demonstram desrespeito, controle, possessividade ou agressividade contra mulheres.

A prevenção não pode começar apenas quando uma mulher já está sendo ameaçada.

A verdadeira prevenção também passa pela formação de homens que jamais se tornem agressores.

E é justamente por isso que ver homens da segurança pública levantando essa bandeira possui um significado tão importante.

Uma caminhada que precisa continuar

Depois de uma jornada de aproximadamente 185 quilômetros entre Osasco e Aparecida, o percurso físico chegou ao fim. Mas a caminhada proposta por Gargantini, Rangel e Wallace precisa continuar dentro da sociedade.

Com Maria Gargantini dando suporte à iniciativa, a ação também demonstrou que homens e mulheres podem caminhar lado a lado por uma mesma causa.

O enfrentamento ao feminicídio exige leis, segurança, fiscalização, Justiça e políticas públicas. Mas exige também educação, participação das famílias, envolvimento das comunidades, posicionamento das lideranças e mudança de comportamento.

A iniciativa Homens Contra o Feminicídio deixa, sobretudo, um chamado aos próprios homens.

Não precisamos esperar que uma mãe, uma filha, uma irmã, uma esposa ou uma amiga se torne vítima para perceber a gravidade desse problema.

Essa luta também é dos homens.

E quando homens da segurança pública decidem enfrentar uma longa caminhada para levar essa mensagem, demonstram que a verdadeira força não está na violência, mas na coragem de proteger, respeitar e transformar.

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Comentários

  • Jorge Rodrigues

    Parabens pela iniciativa homens da segurança publica que tem o estigma de serem grossos e rudes e estao levantando essa bandeira tao importante para a nossa sociedade

Redação